terça-feira, 20 de janeiro de 2009

um pé de alfafa...uma tiquinha

ela gosta de coisas menores
detalhista com pétalas de flores lançadas ao céu de sua própria boca
olhares fixos a reflexos de sua minoridade

segunda-feira, 28 de julho de 2008

romantismo às avessas

[veja o filme]

sssssshhhhhhhhhhhh..............

sobre este clipe:


A música é o silêncio que existe entre as notas" (Tom Jobim)

 

Fessor, essa frase eu ouvi quando estava quase dormindo e lembrei da aula em que você "tocou" aquela música no celular. Hohoho!

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008

delicadamente íntimos

em uma das noites anteriores.


[com licença, o almoço]

sobre esquecer-se de si mesmo

da releitura de 'crônicas de uma casa assassinada":
"foi aí que decidi pôr meu coração à larga e esquecer, como aconselhava o coronel",
entrevisto:
"foi aí que decidi pôr meu coração à largar e esquecer, como aconselhava o coronel",
então esquecido...

segunda-feira, 7 de janeiro de 2008

marilândia

o alvorecer da adolescência: uma mulher morena e nua deitada na cama de tias na casa dos avós, numa cidade interiorana. esta é a imagem vista aqui, entre os garotos atrás de saraghina.

sábado, 29 de dezembro de 2007

adeus'es ao som de "no one knows i'am gone' de tom waits

depois de dois filmes, risadas jogadas ao vento e nuvens inventadas por metro, no centro da sala são recebidos presentes para uma criança inventada. e também para um neto que desaparece no alvorecer de uma morte anunciada há anos, desde o nascimento do ovo.
na varanda marmorizada dos novos ricos, um adeus de quem volta logo, não mais como familiaridade, mas como aridez miniaturizada em uma novidade.
no aperto de mãos à porta, um engasgo de um ir que não se pode mais deter de desejar.
no automóvel, passando por grandes avenidas secas e desérticas, onde a ensolarada lua ilumina o caminho até o túmulo, um "te vejo do outro lado".

em casa, junto a caixas, livros e suculentas leguminosas, o arranhado de um canal fora do ar qualquer mostra o primeiro milionésimo do milionésimo do milionésimo de segundo do bigband. apenas uma idéia...

contatos 04

Presente aos Campos de Alfafinhas,

"natal é coisa q só ganha significado de novo com uma criança.
noel é o máximo.
vc ensina jingle bell - "já acabou papel" e ele aprende repetindo na maiorfelicidade.
presente não tem nada a ver com consumismo: qualquer coisa colorida -principalmente o "pepel"-é a festa.
vermelho mão tem nada de brega ou exagerado. é a cor!
festa de família é uma festa (de verdade).
[...]
e a plantação?

crescendo?
[...]
bjs"

sábado, 1 de dezembro de 2007

contatos 03

Cara Alfafinha,

hoje, fui ao aeroporto levar voce e sua mãe. voces viajaram para o rio de janeiro.
deixei-as no portão de embarque, felizes e contentes para irem ver seu irmão.
vi seu avião indo embora, vi o sol nascer com sua mãe no carro, no caminho.
acordei e vi o dia em um dos seus momentos duplos mais marcantes: o nascer do sol. depois de ontem, o pôr do sol ter se tornado um alaranjamento, cor esta que sempre gostei; hoje vi o nascer.
fazia tempo que não via o dia tão lindo e tão cheio de.....coisas daquelas que te tiram o ar.
espero amanhã acordar mais cedo ainda para assitir e participar desse nascer do sol.

fique bem

seu pai desde sempre, desde idéia
OBS: suas avós são sagitarianas; meu pai tem o nome do seu bisavô; minha avô, sua bisavó então, tem o mesmo nome de sua trisavó.

bancas - 02 [o lugar que se ama tentar]

1530 e já havia duas pessoas a espera de serem chamados.
ambiente de tensão.
depois dos dois, uma sala onde pede-se respeito e distância. campo minado:
"fale-me de seu projeto"
[resposta dada onde não são abertas possibilidades de conversa]
"voce já fez disciplinas por aqui?"
[resposta dada por quem quer conversar, algo como: "é por aqui mesmo que vamos"]
"só tenho uma pergunta: o que é a vida a que voce se refere?
relaciona-se ao biografema barthesiano?
como encontrar tal vida no discurso literário?
que vida é esta?"
[....]


"arquivos do um qualquer" é "arquivos da solidão"[essencial, segundo blanchot]

bom tempo. bons dez minutos. certeza de uma vida produzida naquele instante. uma vibração voltando como solidão, já.

bancas - 01 [o lugar que se odeia gostar]

ninguém à espera.
alguém dentro da sala.
sala esvazia-se, passam alguns minutos e lá dentro, numa salinha com três pessoas já cansadas e uma delas de pé, andando desorientada pela sala.
"apresente seus planos de ensino"

"voce está no ih?"

"então, voce tem disponibilidade pois não viajas mais?"

perguntas secas, diretas e cortantes.
sair da sala, brisa na pele emudecida e certeza de que decisões já haviam sido tomadas ao articular as idéias imaginadas. meu desenho de conexões entre-campos, minhas invenções de teorias e conceitos, minhas unidades de ensino de vida, meus blogs, meus heterônimos são outros que não àquele esperado.
faltou maturidade para mostrar exatamente o que se queria.
faltou maturidade para saber as regras do jogo.
porém, quem queria? o que fazer lá?

de r para nosotros

[sobre morte e envelhecimento]
"as pessoas não suportam a história"

[sobre o mercado]
"o senso comum é da ordem da sensoralidade"

segunda-feira, 26 de novembro de 2007

posso morar lá?

um feriado em são paulo:
engarrafamento de pedestres numa ladeira próximo a estação São Bento, no centro da cidade;
exposição 'futuro do presente' no instituto cultural itaú com picolés de água e estômagos a céu aberto;
concreto ensanguentado que faz essa cidade o que ela é...um arroubo desenvolvimentista sob os escombros de gente que veio dos confins do Brasil fazer uma outra possibilidade de vida;
metrô com tv minuto e que te leva a todos os lugares, menos ao mam ['contradições'] e pavilhão da bienal de arquitetura;
livraria cultura e suas lajes caidosas;
mas ainda pergunto sobre morar lá, em um lugar onde tudo tem pesos relativos, tem distâncias cada vez maiores apesar de um [dito fácil] acesso a tudo...

centenário, embora seja centésimo segundo

passei dos cem. esse é o 102.
isso vai me tornar um pouco de tudo o que´há de mais no mundo'.

adeus ao 'buona tavola' e dias de churrasco no clube

700 é o número de metros daqui até as alfafas e mais uma infinidade de outras numerações.
mas 700 é o pagamento de uma suposta dívida paternal.
poderia ser mais ou menos 700 reais, reais estes acumulados ao longo dos anos e da convivência que agora se reconstrói.
estamos agora na estaca zero, não é verdade?!?!
todos os reais foram esgotados, apagados ou melhor, permanecem como reminiscências de outrora.
espero agora por novos 700s, embora não saiba se serão todos eles.

contatos 02

Minha Cara Alfafinha,

plantando pés de alfafinhas [que penso ser uma planta].
comprei um pagão rosa agora que sei que és feminina,
tua mãe, um macacão de jardineira,
tua avó, sapatos, prendedores de cabelo e de cabelo com florzinhas bregas....
debates sobre polinizações em nova lima,
tamanho que agora estás pois sabemos que até cinco dias atrás tinhas 18 cm e 236 gramas,
e sonhos com menininha de cachos castanhos e jardineira marrom descendo a rua chamando pelo pai, o papai.
uma pessoa é inventada numa mistura de barro e palavras.
alfafinhAs, como diz k, existe há tempos, desde o momento em que te dei tchau ao sair da casa de sua mãe.

aqui está tudo bem.
espero voce sair então...ou melhor, te espero para virarmos madrugadas juntos.
e enquanto isso, vamos conversando, não é?!?

os pequenos sabe[o]res de danuza leão

Um conjugado

A maior dificuldade deve ser, depois de um dia de trabalho, chegar em casa, tomar banho e escolher em que sala ficar

Danuza Leão

As pessoas passam grande parte da vida correndo atrás de um sonho: mudar para um apartamento maior com três quartos, dois banheiros, e se tiver playground e piscina no prédio, é a felicidade total.Para os muito ricos isso não é nada. Casa de rico tem coisas que até Deus duvida: sala de jantar para ocasiões mais formais, sala de almoço para o dia-a-dia, biblioteca para conversas privadas, uma sala pequena e íntima para ler os jornais e tomar o café da manhã, e salas e mais salas, que só são ocupadas, aliás, em dias de grandes festas. Mesmo ficando dois, três meses sem ninguém entrar, os cinzeiros e porta-retratos de prata brilham, e os potinhos com chocolate estão sempre regularmente cheios. Nessas casas, são várias geladeiras: uma para frutas e doces, outra para os legumes (fora as dos vinhos), freezer para carnes e freezer para produtos vindos diretamente do mar. Quem cuida de tudo isso? A dona da casa? Só se tiver feito um curso de administração de empresas e de culinária, fora o de psicologia. Lidar com tanta gente, administrar as tensões de dez, 15 empregados, não é tarefa para qualquer um. Pensar em como vivem essas pessoas me intriga: quem faz as compras? E dá para saber se quem faz essas compras está sendo honesta, que 20 pés de alface por semana é o consumo normal, ou 17 seria o suficiente? Feira, todo mundo sabe, não fornece nota fiscal. Deve ser um problema ser muito rico. Como saber, quando um dos motoristas diz que está na hora de trocar o óleo de um dos carros, se é verdade mesmo ou se o recibo é um acerto entre ele e o dono do posto? Os ricos de gosto mais tradicional costumam ter dezenas de meias pretas -importadas, claro. Será que alguém conta, toda semana, para ver se está faltando alguma? E se estiver, será que ele percebe? E os sabonetes, pastas de dentes, desodorantes, que devem ser comprados em quantidade industrial, ficam guardados num armário trancado a chave? E quem guarda a chave? Difícil também deve ser na hora do jantar. Será que os muito ricos sabem o que vão comer, ou é sempre uma surpresa do cozinheiro? Se em qualquer botequim de subúrbio o cliente tem o direito de escolher entre um mocotó ou uma dobradinha com feijão-branco, por que os ricos não têm esse direito? Isso é que se chama injustiça social. Mas a maior dificuldade deve ser, depois de um dia de trabalho, chegar em casa, tomar banho e escolher em que sala vai ficar. Na de chintz estampado ou naquela de sofá listado? No jardim de inverno ou na varanda com vista para a piscina? Um problema. Um dia eu tive coragem e resolvi pesquisar com um milionário que conheço: perguntei, na lata, como é que ele faz, nessa situação que se repete todos os dias, e a resposta veio, clara e simples. Como sua casa é imensa, o quarto de dormir também é imenso, e nele o decorador -sábio- colocou uma grande televisão, o som, os discos mais queridos, uma bandeja com uísque e vodca e uma geladeirinha onde ficam refrigerantes, chocolates e gelo. Aí ele liga para a cozinha pelo interfone e pede o jantar no quarto, numa bandeja. Come vendo televisão, depois ouve um disco, lê um livro e dorme sem nem lembrar que o resto da casa existe -igualzinho aos pobres. Você que sonha com um apartamento igual ao dos ricos aprenda mais esta: ninguém precisa de mais do que um conjugado para ser feliz. Nem eles.

sábado, 27 de outubro de 2007

pessoa_______________L

no dia 08 de agosto, ao afirmar que estava grávido de um projeto, mal sabia que já não era uma mera projeção há dois dias.
agora, tenho cada vez mais fé [isso que Llansol diz que não se deve diminuir: o poder do acreditar naquilo que o corpo escrevente está a passar] de que as coisas não acontecem por acaso, mas pelo acaso convergente de encontros fortuitos, tal qual a enciclopédia de fortuitos.

depois da queda

volto ao mundo depois de várias tormentas turísticas, literárias de arquivos,
saio do enclausuramento
com "journey to the line" de hans zimmer.
em um casamento, volto a exercitar aproximações.

contatos 01

comprei livros para ti, meu amor:
.Selma de Jutta Bauer, sobre uma ovelhinha que ganhou um prêmio em dinheiro;
.O Povo das Sardnhas de Delphine Perret ou de onde vieram o povo das sardinhas;
e
.O Triste Fim do Pequeno Menino Ostra e Outras Histórias de Tim Burton, porque é do Tim Burton.

lerei-as para voce daqui, do meu lugar, do seu lado, com sua mãe, sorrindo para você.